Visita ao Museu Afro Brasil: um pouco mais da cultura afro-brasileira

Minha visita ao Museu Afro Brasil, no Parque do Ibirapuera, rendeu muito assunto. Confesso que ainda sinto vontade de voltar e ver tudo novamente, de tão encantador que é. Além de toda a história da vida dos negros escravos aqui no Brasil, esse museu reserva uma grande variedade de quadros, esculturas e relíquias de grandes artistas que podemos passar horas observando e apreciando cada detalhe.

Logo na entrada, encontra-se uma exposição de vinis do artista nigeriano Fela Anikulapo Ransome Kuti. Fela registrou sua história no mundo da música também como compositor; foi o criador do Afrobeat e ativista político e dos direitos humanos.

Logo adiante, há uma variedade de quadros de diversos artistas, entre eles Yeda Maria, Benedito José Andrade, Arthur Timóteo Costa, João Timóteo Costa. Na terceira parte do museu, está a exposição de Manabu Mabe, Cardoso e Silva, João Alves e Willys.

Depois de todas as obras dos artistas citados acima, está localizado o salão no qual estão as peças, instrumentos, maquinários e tudo que foi utilizado pelos negros escravos no Brasil colônia. Veja post publicado sobre isso aqui.

Na instalação seguinte, onde é preciso subir uma pequena rampa para ter acesso, estão mais quadros, esculturas e cerâmicas. O artista que se destaca na cerâmica, que está presente no Museu, é o Francisco Brennand.

Logo depois quadros de Bori, nos quais as imagens são de pessoas fazendo rituais de oferenda à cabeça. Como esses abaixo:

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Por último, é interessante apreciar vasos e recipientes diversos com linhas de Izidorio Cavalcanti. O artista nasceu em Gameleira, Pernambuco, reside e trabalha e Recife, onde se formou em Desenho Arquitetônico no Liceu de Artes e Ofícios. Trabalhando com arte há 20 anos, explora as mais diversas técnicas e utiliza diferentes linguagens, desde o desenho até a performance. Atualmente, integra o Grupo MAMÃE e BO (Branco do Olho). Participou de diversas exposições coletivas e individuais em São Paulo, Ceará, Paraíba, Goiás, Rio de Janeiro, Florianópolis, Sergipe, Pernambuco e Valência (Espanha).

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Vale a pena reservar algumas horas do dia e conhecer, pessoalmente, tudo que esse museu tem a oferecer sobre a cultura afro-brasileira.

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Published in: on 06/01/2014 at 21:24  Deixe um comentário  
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Senti-me inteiramente dentro da história do meu país.

Meus amigos sabem o quanto me interesso por qualquer assunto que envolva o continente africano e sua relação com o Brasil. O que me deixa também curiosa é saber quais eram as condições que o povo africano viveu no meu país na época da escravidão.

Essa minha curiosidade me fez começar a buscar informações e conhecer pessoalmente alguns objetos que fizeram parte da vida deles para que pudessem trabalhar para seus senhores. Visitar o Museu Afro Brasil me fez sentir próxima à realidade dos negros africanos escravos. O sentimento que tive ao me aproximar de cada peça usada por eles trouxe a sensação de voltar ao tempo, como se eu tivesse participado pessoalmente daquele momento, foi emocionante e triste. Acredito que a emoção deveu-se ao fato de tanto estudar o assunto no ensino regular ou para pesquisas, mas nunca estar além do que o papel diz; triste por tentar imagina o quanto eles sofreram e o como foram abusados pelos seus donos. A cada peça que me aproximava, eu parava, observava bem e tentava visualizar aquilo em uso. Nunca me senti tão próxima à história do Brasil como dentro desse museu. Recomendo.

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Cadeira de Arruar – século XIX

Como já diz o nome, arruar, essa cadeira era usada para andar nas ruas. Quem as conduzia eram escravos e, o transportado, sempre uma mulher. No Brasil Colonial, era costume as mulheres, principalmente as casadas, não terem contato com a sociedade. A proximidade que tinham se restringia a familiares próximos e, eventualmente, padre confessor. Para que o transportado pudesse fugir aos olhares curiosos das pessoas que transitavam pela rua, essas cadeiras tinham coberturas e uma espécie de cortina ao redor. Passear em uma cadeira de arruar pressupunha certo padrão econômico, pois era necessário dispor de alguns escravos para a tarefa de carregar a cadeira. 

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Potes de Água

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Cestas para Vegetais 

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Joias Crioulas

As negras escravas usavam joias por ordem de seus senhores. Através delas eles mostravam, em festas, o grande poder de consumo que possuíam. As concubinas e prostitutas também usavam para atrair clientes.

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Lamparinas

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Bateias

“Deve-se principalmente aos negros a adoção das bateias de madeira, redondas e de pouco fundo, de dois a três palmos de diâmetro, que permitem a separação rápida do ouro da terra, quando o cascalho é bastante rico. A eles se devem também as chamadas canoas, nas quais se estende um couro peludo de boi ou uma flanela, cuja função é reter o ouro, que se separa depois em bateias.” (Wilhelm Ludwig Von Eschwege, 1833)

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Secadora de Roupas

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Prensa para torresmo e banha – em madeiraImagem

Gamela

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Prensa para uva – madeira e metal

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Moenda de cana-de-açúcar

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Cocho para melaço

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Bancada para lapidação de pedra

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Rodas de carro de boi

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Gargalheira e mordaças de ferro.

Serviam para castigar os escravos.

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Embolos de prensa de fumo

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Tachos

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