Corrida de São Silvestre fora de época

 


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Há alguns dias, venho observando as pessoas na rua. Isso se deu por conta de um indivíduo que conheci na rua, do nada. Eu estava a caminho da minha casa e um rapaz me abordou pedindo isqueiro emprestado. Eu não tinha, graças a Deus – não fumo mais. Percebi que seu sotaque não era daqui, foi quando ele disse que era de Salvador e estava passando uns dias na casa de um amigo. Apesar do medo que eu estava dele, pois nunca o tinha visto na vida, acabei puxando assunto conforme íamos descendo a Augusta. Ele estava transtornado, de verdade, com a maneira que os paulistas vivem: sempre na correria, literalmente. Disse que em Salvador se alguém está correndo assim é porque deve ser um assalto, um arrastão e todos correm pra se esconder. E que aqui quase correu junto pensando que era a mesma coisa, mas percebeu que não; aqui, as pessoas correm porque correm, como se isso fosse adiantar algo ou se o dia fosse esticar pra mais de 24 horas. 
Muito bem, pensando nessa situação, passei a observar tanto as pessoas como a mim também, principalmente no dia a dia. Muitas vezes, me pego andando como se estivesse querendo me esconder de algo, e quando paro pra pensar, não tenho nada de importante pra fazer ao chegar em casa depois do trabalho. Ou se tenho, é algo que correndo ou não, vou resolver no mesmo tempo. Claro que em algumas situações precisamos agilizar, mas nessa observação, percebi que isso é automático nas pessoas.
Ultimamente, tenho usado Metrô e CPTM pra voltar pra casa. Fico impressionada com a correria das pessoas, chega a ser engraçada a situação. A maratona começa na catraca. As pessoas faltam pouco passar por cima da gente, é assustador. Quando acaba a escada rolante, é “salve-se quem puder”; parece até que abriram a porteira pra boiada passar (estou ficando com raiva só de lembrar). Quando resolvo usar esse meio de transporte, vou para a estação Paulista da linha amarela do Metrô, e pra eu chegar até ela, preciso passar pela estação Consolação da linha verde. Aí eu sinto vontade de chorar. Ou você encontra corredores da São Silvestre ou uma procissão. Eu prefiro a procissão, mesmo com algumas pessoas sem-noção que resolvem ficar escrevendo no celular enquanto anda. A vontade que tenho é de empurrar essa pessoa “sem querer” pra que o celular voe pra bem longe; acho que assim aprendem a esperar chegar a um local que dê pra escrever tranquilamente. 
Para ser sincera, até penso que em algumas vezes correr é necessário, cada um sabe das suas necessidades. Mas, na maioria das vezes, a pessoa corre pra ser a primeira a entrar no trem ou subir a escada. Isso me cansa a beleza. Na volta pra casa, no horário que eu costumo usar o trem e metrô, geralmente a pessoa quer correr pra pegar a novela do começo. Mesmo com o acesso fácil à internet hoje em dia. Corremos contra o tempo inutilmente.
Já testei tentar fazer tudo na correria e com calma. Os resultados que eu tive foi o seguinte: consegui resolver as mesmas coisas e no mesmo tempo, correndo ou não. Cheguei à conclusão de que toda essa nossa pressa pode ser ansiedade. E ela só prejudica a saúde. Por isso que hoje em dia todo mundo é diagnosticado com estresse, a doença do momento. Inclusive, acho ridículo as pessoas verem essa doença como algo normal na vida do ser humano. Deveríamos, sim, é mudar nossas atitudes e cuidar para que não deixemos isso interferir em nossa qualidade de vida. Estou tentando usar a calma na minha vida. Logo mais volto pra contar algo sobre.

 

 

 

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Published in: on 26/02/2013 at 15:35  Deixe um comentário  

Livre-arbítrio em primeiro lugar.

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Dia 11 de fevereiro vai ficar marcado na memória do mundo. O Papa Bento XVI renunciou ao seu cargo alegando problemas de saúde. Não sou católica, mas me sinto à vontade para falar mais da questão de escolha do que de religião. Afinal, esse assunto eu não discuto, é muito particular. Respeito todas.

O Código de Direito Canônico possibilita aos eleitos Papa de renunciarem ao cargo. Porém, por ser um caso incomum, essa atitude causa surpresa a todos, principalmente ao fiéis. Outros Papas já renunciaram, mas não vou entrar em detalhes porque não é esse o objetivo do post.

Muitas pessoas estão criticando a atitude dele porque acham que ser Papa tem que ser pra vida toda, até morrer, nunca pode desistir. Eu discordo totalmente disso. Acho que o mundo em que vivemos hoje dá a liberdade de a pessoa escolher o que ela acha melhor.

Pra ser sincera, eu admirei a atitude, e muito. Ele enfrentou todas as opiniões e tomou uma decisão que, com certeza, iria causar muita polêmica, como está causando. Penso que temos o direito ao livre-arbítrio. Foi melhor ele ter renunciado do que ficar fazendo algo contra a própria vontade apenas para manter as aparências, como muitas pessoas fazem. Encontramos em nosso dia a dia muita gente que vive de aparências para ser aplaudido pelos outros, mas por dentro gostaria de fazer o contrário. Criticam o comportamento alheio por pura hipocrisia, pois quando fazem algo parecido, conseguem ser pior que a pessoa que não precisa esconder a verdadeira identidade de ninguém.

Infelizmente, não sabemos quem é verdadeiro ou falso com a gente. Por isso, acredito que devemos nos preocupar com a nossa verdadeira personalidade, sermos o que realmente somos sem nos importarmos com as opiniões dos outros, que são seres humanos como a gente e que também erram. Se formos autênticos, seremos honestos com a gente mesmo e atrairemos pessoas que realmente gostam do nosso jeito, pois não estaremos usando qualquer tipo de máscara para ganharmos aplausos de seres imperfeitos como a gente.

Published in: on 14/02/2013 at 14:34  Deixe um comentário