Saudade de tantas coisas

Hoje, senti saudade de muitas coisas que já passaram pela minha vida. Inclusive, sinto saudade até de épocas que não vivi: a boa literatura é uma dessas épocas.

Dos escritores da literatura brasileira que já li, por exemplo, o que mais me identifico é Carlos Drummond de Andrade. Não sei muito bem explicar o motivo, mas acredito que possa ser por eu ter nascido nos tempos em que ele ainda escrevia. Claro que admiro escritores dos movimentos literários anteriores ao Modernismo, tanto os de Portugal como os do Brasil, mas Cacá, que tomei a liberdade para chamá-lo assim (risos), é o que mais gosto. E, para matar a saudade da época de faculdade, quando era obrigada a analisar textos, aí vai o primeiro poema que analisei para nota de prova.

Mãos Dadas – Carlos Drummond de Andrade

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente. 

Published in: on 14/07/2010 at 18:38  Deixe um comentário