Um pouco sobre o desenvolvimento das linguagens na literatura (norma culta e norma popular ou romance)

É normal, na literatura, um poeta imitar seus ancestrais mesmo que não os tenham conhecido diretamente. Assim podemos considerar que a literatura é uma árvore genealógica, onde os que estão no topo trazem raízes de influência. As raízes fundamentais para o crescimento da literatura constituem-se em três livros: A Ilíada e A Odisséia, de Homero, e a Bíblia. Com essas três bases, o poema moderno adquiriu significativa importância. Para defender esta afirmativa, exemplifico Os Lusíadas, que além de sua impecável qualidade artística, influenciou definitivamente a poesia posterior a ele. Neste poema é narrado todo o percurso dos “argonautas portugueses” em busca das Índias, além de ser um poema da cristandade em luta contra os mulçumanos, e mesmo que não conste, há um reflexo do mundo que tem a Bíblia como base.
Acrescentando, ainda, que a história das técnicas literárias envolve transformações políticas, ideológicas e econômicas, a história literária possui dois prismas: um é o cultural e o outro a representação do momento que o poeta está vivenciando.
Mesmo havendo essa possibilidade de mesclar idéias para criar um poema, a língua portuguesa do século XVI não é culturalmente uniforme porque a maior parte dos letrados fugia a tudo que lembrasse a fala rude do povo, negando qualquer compromisso com a linguagem oral, com o folclore, com a fala simples, dialetal, cabocla.
Devemo-nos lembrar de que os homens cultos do final da Idade Média tinham total conhecimento do latim imperial, considerando que as línguas neolatinas eram como filhas bastardas, mudando a idéia somente quando os países do Ocidente europeu foram constituídos em nações e impérios.
Contrárias às poesias com dialeto impecável eram as cantigas de amigo: simples, ingênuas, coloquiais, entoadas em praticamente todo o território português. Somente a partir do romantismo, então, que as normas cultas e populares mesclaram-se. Ainda nos dias atuais, alguns compositores são considerados de difícil interpretação para o grande público, como Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil, entre outros.
A norma popular usufrui do vocabulário usual; prático; sentido direto por meio da palavra; linguagem sem ornatos nem sutilezas e períodos curtos.
Já a norma culta exige boa competência lingüística de parte do leitor, conhecimentos gerais, como grandes autores, mitologia, gramática, gênero literário. Além disso, esse tipo de linguagem dá significado no mais alto grau aos vocábulos usando também a subordinação e construções complexas das orações. Não fácil compreender na primeira leitura, mas se dedicarmos tempo ao analisarmos um poema, poderemos apreciar a beleza de tantos escritos que já passaram por nossos olhos e não vimos a bela construção e semântica. Mas antes de dedicarmos esse tempo, é importante termos conhecimento, mesmo que o básico, da vida do poeta, o momento histórico em que viveu, o gênero literário no qual fez parte sua trajetória e ainda acrescentar nossos conhecimentos gerais.

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Published in: on 04/06/2009 at 00:37  Deixe um comentário  

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