Classicismo

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O Classicismo foi influenciado pelos ideais humanistas, que coloca o homem como o centro do Universo. Não se pode datar com precisão quando aconteceu o Classicismo porque vários momentos ocorreram em datas diferentes uma da outra. Assim, não é um movimento que os anos são específicos como os outros da literatura. Neste caso, identificamos clássicos os autores gregos e latinos da antiguidade, escritores renascentistas e alguns poetas do século XVIII.
Clássicos são escritores cuja obra é caracterizada pela sua grandeza, elevação e equilíbrio em sua formação impecável, unindo informação e linguagem que o escritor aplica à obra para transmitir com clareza o que quer passar para o leitor em todos os segmentos da arte: pintura, textos, músicas.
Após essa definição – de que clássico é toda arte que possui boa sintonia das informações -, é entendido que tivemos e ainda temos vários classicismos na literatura brasileira.
Direcionando o assunto para a poesia, um exemplo de escritor clássico é Camões (século XVI), que trouxe à nossa literatura todo o conhecimento adquirido na Itália renascentista para compor sua poesia de amor; depois, para compor Os Lusíadas, usou do material adquirido na antiga epopéia romana do século I a.C A Eneida, de Virgílio. Camões também escreveu vários sonetos e peças líricas, mas por falta de informações documentadas, não se pode definir quantos textos são de sua autoria. Alguns dos seus sonetos, como o conhecido Amor é fogo que arde sem se ver, pela ousada utilização dos paradoxos, prenunciam o Barroco.

Published in: on 23/06/2009 at 00:50  Deixe um comentário  

Padres podem amar?

A igreja católica criou um tabu de que padres, freiras, madres, enfim, o corpo clerical não pode ter relacionamento afetivo com o sexo oposto ou até mesmo com pessoas do mesmo sexo. Pois fazendo parte da igreja, estão comprometidos com Cristo. Tenho urticárias só de curiosidade pra saber onde que Cristo deixou isso escrito e, pra ser mais direta, Cristo não pregou o que é ou não errado. Ensinou sim que o amor, respeito e caridade ao próximo são atos vitais para nosso crescimento moral.
Sou completamente a favor de que padres tenham relacionamento afetivo. Se os fanáticos por religião dizem que nada existe sem a permissão divina, então quem inventou o sexo, o amor, o afeto? O diabo? Esse somos nós que criamos no pensamento. Na minha humilde opinião, o diabo ou o dêmo pra quem preferir, são pessoas que vivem para se dedicar somente em fazer mal ao seu próximo, então ele está entre nós. Não precisa chegar o “juízo final” para observarmos os males que vêm assombrando nosso dia a dia, as doenças, a violência, a falsidade, arrogância, o orgulho, o egoísmo que aí sim considero coisas do dêmo.
Padres, freiras, madres são seres humanos e têm o direito de desfrutar das sensações que o amor e o sexo nos trazem. Claro que não concordo com o que a mídia vem mostrando sobre a pedofilia. Mas vai saber se é realmente verdade? Infelizmente pra eles e felizmente para nós, a sociedade, a imprensa é fácil julgar sem saber o real motivo e como tudo aconteceu. Não quero justificar o ato de alguns e que todos acabam pagando, quero apenas tentar alertar que a justiça divina existe. Deixem que Deus penitencie os culpados. Todos estamos nessa existência por ter alguma missão a cumprir, nenhum de nós somos perfeitos. Então não temos direito, não temos moral de julgar alguém que também está em estado de provas, que está no mesmo jogo que nós. Não sabemos se as pessoas que assumem o compromisso religioso estão fazendo isso por apenas sentirem vontade ou se dentro delas há algo que as levem decidi esse futuro.
Estou lendo um livro que fala sobre o amor e sexualidade e o foco é a igreja católica do século XVII. Não posso afirmar se hoje em dia acontece a mesma coisa que naquela época, mas o que mais me chamou a atenção, inclusive por eu sempre ter tido uma opinião formada de que não é “pecado” sacerdotes terem relacionamento afetivo, é que o amor torna o ser humano livre de qualquer pensamento de maldade com seu próximo.

Published in: on 11/06/2009 at 04:21  Deixe um comentário  

Um pouco sobre o desenvolvimento das linguagens na literatura (norma culta e norma popular ou romance)

É normal, na literatura, um poeta imitar seus ancestrais mesmo que não os tenham conhecido diretamente. Assim podemos considerar que a literatura é uma árvore genealógica, onde os que estão no topo trazem raízes de influência. As raízes fundamentais para o crescimento da literatura constituem-se em três livros: A Ilíada e A Odisséia, de Homero, e a Bíblia. Com essas três bases, o poema moderno adquiriu significativa importância. Para defender esta afirmativa, exemplifico Os Lusíadas, que além de sua impecável qualidade artística, influenciou definitivamente a poesia posterior a ele. Neste poema é narrado todo o percurso dos “argonautas portugueses” em busca das Índias, além de ser um poema da cristandade em luta contra os mulçumanos, e mesmo que não conste, há um reflexo do mundo que tem a Bíblia como base.
Acrescentando, ainda, que a história das técnicas literárias envolve transformações políticas, ideológicas e econômicas, a história literária possui dois prismas: um é o cultural e o outro a representação do momento que o poeta está vivenciando.
Mesmo havendo essa possibilidade de mesclar idéias para criar um poema, a língua portuguesa do século XVI não é culturalmente uniforme porque a maior parte dos letrados fugia a tudo que lembrasse a fala rude do povo, negando qualquer compromisso com a linguagem oral, com o folclore, com a fala simples, dialetal, cabocla.
Devemo-nos lembrar de que os homens cultos do final da Idade Média tinham total conhecimento do latim imperial, considerando que as línguas neolatinas eram como filhas bastardas, mudando a idéia somente quando os países do Ocidente europeu foram constituídos em nações e impérios.
Contrárias às poesias com dialeto impecável eram as cantigas de amigo: simples, ingênuas, coloquiais, entoadas em praticamente todo o território português. Somente a partir do romantismo, então, que as normas cultas e populares mesclaram-se. Ainda nos dias atuais, alguns compositores são considerados de difícil interpretação para o grande público, como Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil, entre outros.
A norma popular usufrui do vocabulário usual; prático; sentido direto por meio da palavra; linguagem sem ornatos nem sutilezas e períodos curtos.
Já a norma culta exige boa competência lingüística de parte do leitor, conhecimentos gerais, como grandes autores, mitologia, gramática, gênero literário. Além disso, esse tipo de linguagem dá significado no mais alto grau aos vocábulos usando também a subordinação e construções complexas das orações. Não fácil compreender na primeira leitura, mas se dedicarmos tempo ao analisarmos um poema, poderemos apreciar a beleza de tantos escritos que já passaram por nossos olhos e não vimos a bela construção e semântica. Mas antes de dedicarmos esse tempo, é importante termos conhecimento, mesmo que o básico, da vida do poeta, o momento histórico em que viveu, o gênero literário no qual fez parte sua trajetória e ainda acrescentar nossos conhecimentos gerais.

Published in: on 04/06/2009 at 00:37  Deixe um comentário